PEDRO MARTIN & SONS

11:44 da tarde

Pedro Martin nasce em Madrid, e quando aos 3 anos de idade os pais se separam, vem viver com a mãe para Portugal, mais concretamente para Lisboa. Costuma dizer por graça, que é um produto 100% ibérico, porque o pai era espanhol, e seus avós um natural da Andaluzia e a avó natural do País Basco, a mãe portuguesa, e seus avós um do Porto e outro de Évora. Como cresce no Bairro de Alvalade, a música aparece desde muito cedo de forma inerente "Tive a sorte de crescer num bairro extremamente musical, onde nasceram por exemplo os Censurados, que eu adorava." Teve várias bandas de punk e heavy metal, a primeira ainda como guitarrista, os Speed Limit "Tínhamos 14 anos, os nomes não podiam ser assim tão bons". (risos) Depois teve um professor, o Ivo Palitos, irmão do Samuel Palitos que era o baterista dos Censurados. A partir daí começou a tocar bateria na banda Dodge This, Militrium ente outras, só deixou de tocar desde que foi pai, e tem pena de não ter conseguido viver só da músicaque desde sempre foi uma paixão. Estudou economia no Instituto Nacional Bancário, mas entretanto a moda começou, e o rumo da sua vida mudou para sempre. Viveu em Milão, Paris, Londres, e esteve muitas vezes em Miami, Pequim, Nova York, México e África do Sul. Juntamente com os gémeos Guedes, foram os primeiros modelos portugueses a desfilarem na Semana da Moda de Milão para o Giorgio Armani. Depois vieram os filhos e agora os vinhos.

Photography by João de Bettencourt Bacelar
Interview and Styling by Susana Jacobetty
with Pedro, António and Oliver Martin









Trench coat, shirt and shortall by Burberry.

És um dos modelos com mais experiência em Portugal, e acompanhaste grandes mudanças. A tua maturidade dá-te uma perspectiva única. Como vês a moda e toda a sua envolvente cá dentro e lá fora?
A moda hoje está mais acessível, e é mais fácil para os miúdos novos serem bons manequins. Quando comecei não havia ninguém para seguir, ou tinhas talento e intuição ou não. Agora com a internet, é possível estudar os bons modelos, ver os desfiles, pesquisar tendências, é outro mundo. Vejo a moda Portuguesa com muito bons olhos, considero que há muitos designers com grande qualidade, como por exemplo o Dino Alves ou o Luís Carvalho. E Lisboa está na moda, está muito trendy. No meu tempo, queríamos era sair de cá, viajar, agora quer-se é estar em Lisboa. Em 15 anos mudou muita coisa. Mas embora a moda esteja no bom caminho, penso que ainda tem de evoluir. Falta por exemplo haver uma semana da moda exclusiva à imprensa e comerciantes, como há em Itália a Pitti. Esta feira internacional é realizada para a indústria da moda e recebe clientes do mundo inteiro.

Enquanto jovem modelo, ficou algum trabalho por fazer?
Vários. Fiquei na shortlist para uma campanha do perfume Paco Rabanne, e para uma campanha Giorgio Armani. Assim como para a Nívea.

Gostarias que os teus filhos seguissem a carreira de modelo? Se sim, quais os conselhos que lhes darias?
Boa pergunta. Não sei. (risos) Mas daria-lhes o conselho que eu nunca tive, se é para fazer é para fazer bem, têm de estar no sítio certo à hora certa, mas a hora certa dos meus filhos vai ser na escola.

Houve algum momento memorável? 
Sim. A campanha da Boss, a campanha para a Campari com a actriz Eva Mendes, que é uma pessoa incrível, e a capa da revista Máxima com o meu filho António, que foi o momento mais especial, exactamente porque foi com o meu filho António.

Ralph Lauren polos and baby short dungarees by Tommy Hilfiger at El Corte Inglês.

Para além do Futebol Clube do Porto, dos filmes Star Wars, da música e do vinho, que outras áreas te interessam ou despertam curiosidade?
Ando a pensar muito na agricultura. Vamos herdar uma terreno agrícola no Dão, com animais, pomar, oliveiras. Estou muito entusiasmado com esse lado mais orgânico da vida.
   
Com dois filhos pequenos, o que mudou na tua vida em termos de rotinas e trabalho? Como pai, o que mais adoras e o que menos gostas?
O que mudou completamente foi a expontãneidade de ir jantar fora com a minha mulher, e como sou um gajo que gosta mesmo da mulher, o que menos gosto, é mesmo não ter tempo para estar com ela. Sou eu que fico em casa com o mais pequeno, por isso também não tenho muito tempo para mim. Acordo a ter de cuidar e às vezes deito-me sem me ter cuidado, acho que faz parte da vida de ser pai. Eu acordo primeiro, acordo o António, dou-lhe o pequeno almoço, brinco com ele e depois levo-o à escola. Depois volto para casa e quando o Oliver acorda, começo tudo outra vez :=) 
Gosto muito de educar, estou a criar futuros adultos, não me esqueço disso nem por 1 minuto. Não os mimo demais, mas dou-lhes muito amor e atenção. Estou a prepará-los para quando crescerem serem 2 homenzinhos como deve ser. É difícil sentir um amor tão grande como este, sinto que é para isto que cá estou, nasci para ser pai. Adoro chegar a casa.

Tens 2 filhos com idades muito próximas de mães diferentes. São uma familia moderna, mas principalmente um grande exemplo de vida, e de como os filhos devem vir sempre em primeiro lugar. Como conseguem que funcione?
Eu tenho uma excelente relação com a Vanessa, a mãe do António, no sentido que, quando terminou entre nós, sabíamos que iríamos para sempre gostar um do outro, porque o amor é inerente ao sermos os dois pais do António. A Vanessa é a mãe do meu filho, vou ter sempre amor por ela, mas não é um amor romântico. Também foi claro para mim que a maneira como eu trato a mãe do António, é a maneira que os meus filhos me vão ver a tratar as mulheres, e educar pelo exemplo é fundamental. E eu só a posso tratar bem, no que depender de mim, ela estará sempre feliz. A Vanessa e a Inga, a mãe do Oliver, são amigas, dão-se muito bem e gostam genuinamente uma da outra, o que é ótimo.




Como surgiu o vinho na tua vida? 
Das coisa más vêm coisas boas. Decorria o ano de 2011, tinha aberto um bar, o Zoo, com o dinheiro que fiz na moda, fui assaltado no dia em que ia fazer o seguro, um dos meus seguranças roubou-me tudo o que eu tinha e eu fiquei sem meios, sem recursos, sem nada. Também foi um ano de crise em Portugal, e eu como modelo já estava com cachet de special booking e ninguém estava a pagar esses valores. Cheguei a ir a um casting na Nova Imagem em que diziam que queriam modelos tipo Pedro Martin, mas não podia ser eu. Acreditei que as coisas iriam melhorar, porque o problema era da economia do pais, e por isso resolvi que não ia baixar o meu cachet. Estive 6 meses sem que entrasse 1 único Euro na minha conta. 
Liguei para um amigo meu, o António Maçanita, que é o dono da Fita Preta Vinhos, e perguntei-lhe se ele tinha alguma coisa em que precisasse de mão de obra. A única coisa que ele tinha era ir para Évora empacotar caixas às 5 da manhã com romenos, e disse-me que pagava muito pouco, e eu disse-lhe que pagava mais do que eu estava a receber naquele momento. Ele ficou impressionado com a minha atitude, com a minha entrega. Conhece-me desde miúdo, conhecia o meu percurso como modelo, e custou-lhe a acreditar como é que eu podia estar na capa da revista Mens Health, ter feito a campanha para a Boss, e não ter 1 Euro no banco. Mas eu na verdade sentia-me honrado, porque sabia que estava a controlar o meu destino. 
Ele gostou da minha capacidade de análise, do meu pragmatismo, e convidou-me para fazer a vindima com ele, que eu fiz. As coisas correram muito bem, fiquei a trabalhar na empresa. Começou assim. Depois fui trabalhar como Sommelier para o chefe Ljubomir Stanisic no 100 Maneiras, e depois no JNcQuoi do Grupo Amorim, onde também correu tudo muito bem, e agora abri a minha empresa a Martin Boutique Wines, que estará brevemente online worldwide, e também trabalho como Sommelier no Maison Andaluz.



E agora vais fazer e lançar 2 vinhos com os nomes dos teus filhos. Fala-nos um bocadinho de como vão ser esses vinhos.
Tenho na minha cabeça a receita para 2 vinhos, sei o que quero e como lá chegar, mas como neste momento não tenho vinhas, não sou produtor, nem enólogo, uni-me com o Carlos Lucas da Magnum Vinhos no Dão, para fazer 2 vinhos com os perfis dos meus filhos.
Um vai ser o AM o António Martin, que é um vinho tinto, com garra, mas com doçura, no sentido de ter boa fruta, algo que nos deixa feliz. É um vinho com muitos taninos, com um corpo muito grande, para dar trabalho a mastigar, com muita acidez para transportar toda a informação que tem, seja a nível de fenóis, seja a nível tânico. As propriedades  organolépticas do vinho tinham que ser complexas como o António.
O OM, Oliver Martin, vai ser um vinho à imagem dele, de sorriso fácil, cândido, puro, com características suaves. No OM, procurei castas mais puras, que dessem logo uma capacidade de um sorriso fácil, com um perfil de pureza e longevidade.
Procurei nos 2 vinhos fazer coisas que gosto muito. A minha região favorita é o Dão, e o AM, foi feito lá. E o OM, como a mãe dele e sua família são todos Beirões, fui fazer à Bairrada.





Pedro, Officine Générale suit at Loja das Meias, shirt by Burberry. António, shirt, tie and suit by Marc Jacobs at El Corte Inglês. Oliver, t-shirt by Kenzo and baby short dungarees by Gap, all at El Corte Inglês.

Qual a tua visão sobre o mercado dos vinhos em Portugal? 
É um mercado que vejo com muita saúde. O vinho é claramente uma das coisas que as pessoas mais procuram. Portugal foi considerado o quinto pais do mundo com melhores vinhos. A seguir à Itália somos o pais com mais castas no mundo, e Portugal é bem melhor que a Itália. Portanto é uma questão de tempo para que nos possamos destacar e sobressair.

Como prevês a tua vida nos próximos anos?
Em relação à moda, acho que quando começar a ter cabelos brancos, haverá novamente muito mercado para mim. Neste momento sei que não tenho ar de 40, que é a minha idade, mas também não pareço 30. Continuo na Central Models, agência onde comecei, e tenho a certeza que ainda irei trabalhar muito quando começar a ter cabelos brancos. (risos) Também estarei em forma, porque a saúde e o bem estar físico fazem parte da minha maneira de ser, e também porque sou vaidoso :=), também porque gosto que a minha mulher tenha orgulho no marido que tem :=), mas principalmente pelos meus filhos. Nos próximos anos o meu foco é em ser pai, na minha empresa, e em ser feliz.  


Sweat shirts by Kenzo at El Corte Inglês.

Pedro Martin was born in Madrid, and when he was 3 years old, his parents got divorced and he come to live with his mother in Portugal, more specifically in Lisbon. He usually says that, he is a 100% Iberian product, because the father was Spanish, and his grandparents from Andalusia and from the Basque Country, Portuguese mother, and their grandparents one from Oporto and another from Évora. Because he grown up in the Bairro de Alvalade, the music appears very early inherently "I was fortunate to grow up in an extremely musical neighborhood, where the Censurados (Portuguese band) were born, and I loved them." He had several bands of punk and heavy metal, the first still as a guitarist, the Speed ​​Limit "We had 14 years old, the names could not be so good". (laughs) Then he had a teacher, Ivo Palitos, brother of Samuel Palitos who was the drummer of the Censurados. And since then he started to play drums in the band Dodge This, Militrium among others, he only stopped playing since he was a father, and he is sad that he has not been able to live on music alone, which has always been a passion. He studied economics at the National Banking Institute, but then the fashion began, and the course of his life changed forever. He lived in Milan, Paris, London and often in Miami, Beijing, New York, Mexico and South Africa. Along with the Guedes twins, they were the first Portuguese models to do a fashion show for Giorgio Armani, at Milan Fashion Week. 
Then came the children and now the wines.

You are one of the models with more experience in Portugal, and accompanied great changes. Your maturity gives you a unique perspective. How do you see the fashion and all its surroundings inside and out?
Fashion is more accessible today, and it's easier for young kids to be good mannequins. When I started there was no one to follow, either you had talent or intuition or not. Now with the internet, it is possible to study the good models, see the fashion shows, research trends, it is another world. I see the Portuguese fashion with very good eyes, I consider that there are many great fashion designers , such as Dino Alves or Luís Carvalho. And Lisbon is trendy. In my time, we wanted to get out of here, to travel, now we want to be in Lisbon. In 15 years much has changed. But while fashion is on the right track, I think it has yet to evolve. There should be, for example, an exclusive fashion week for the press and industry, as there is in Italy, the Pitti. This international fair is held for the fashion industry and welcomes customers from all over the world.

As a young model, was there any work left undone?
Several. I was in the shortlist for a Paco Rabbane perfume campaign, and for a Giorgio Armani campaign. As for Nivea.

Would you like your children to follow a modeling career? If so, what advice would you give them?
Good question. Do not know. (laughs) But I would give them the advice I never had, if it's to do is to do well, they have to be at the right place at the right time, but the right time for my children will be at school.

Was there any memorable moment?
Yes. The Boss campaign, the campaign for Campari with actress Eva Mendes, who is an incredible person, and the cover of Máxima magazine with my son António, which was the most special moment, exactly because it was with my son António.

Apart from Futebol Clube do Porto, Star Wars movies, music and wine, what other areas interest you or arouse curiosity?
I'm thinking a lot about agriculture. We are going to inherit an agricultural land in Dão, with animals, orchards, olive trees. I'm very excited about this more organic side of life.

With two small children, what has changed in your life in terms of routines and work? As a parent, what do you love the most and the least?
What completely changed was the spontaneity of going out to dinner with my wife, and since I'm a guy who really likes his wife, what I do not like is that I do not have time to be with her. It's me who stays at home with the little one, so I do not have much time for me either. I think it is part of the life of being a father. I wake up first, then I wake up Antonio, give him breakfast, play with him, and then take him to school. Then I go back home and when Oliver wakes up, I start all over again: =)
I love to educate, I am creating future adults, I don't forget that for a minute. I don't spoiled them too much, but I give them lots of love and attention. I'm preparing them for when they grow up to be 2 little men as they should be. It is difficult to feel a love as big as this, I feel that this is why I am here, I was born to be a father. I love getting home.

You have 2 children very close in age from to different mothers. You are a modern family, but mainly a great example of life, and how children should always come first. How do you make it work?
I have an excellent relationship with Vanessa, António's mother, in the sense that when it ended between us, we knew that we would always love each other, because love is inherent in being both of Antonio's parents. Vanessa is the mother of my son, I will always have love for her, but it is not a romantic love. It was also clear to me that the way I treat Antonio's mother is the way my children will see me treating women, and educating by example is fundamental. And I can only treat her well, as far as I'm concerned, she'll always be happy. Vanessa and Inga, Oliver's mother, are friends, they get along really well and genuinely like each other, which is great.

How did the wine come in your life?
Bad things come from good things. It was the year of 2011, I had opened a bar, the Zoo, with the money I made in fashion, I was robbed the day I was going to make the insurance, one of my security robbed me everything I had, and I was left without means, without resources, with nothing. It was also a crisis year in Portugal, and as a model I was already having special booking cachet and no one was paying those amounts. I even went to a Nova Imagem casting where they said they wanted models like Pedro Martin, but it could not be me. I thought things would improve because the problem was the economy of the country, so I decided that I would not lower my cachet. I had 6 months without entering 1 single Euro in my bank account.
I called a friend of mine, António Maçanita, who is the owner of Fita Preta Vinhos, and I asked him if he had anything that needed manpower. The only thing he had was to go to Évora to pack boxes at 5 in the morning with Romanians, and he told me that he paid very little, and I told him that he paid more than I was receiving at that moment. He was impressed with my attitude. He knew me since I was a kid, he knew my life as a model, and it was hard for him to believe how I could be on the cover of Mens Health magazine, to featured in the Hugo Boss campaign, and not to have 1 Euro in the bank. But I actually felt honored because I knew that I was controlling my destiny.
He liked my ability to analyze, my pragmatism, and invited me to do the harvest with him, which I did. Things went very well, I began to work at the company. It started like this. Later I went to work as a Sommelier for chef Ljubomir Stanisic in the 100 Maneiras restaurant, and then in the JNcQuoi of the Amorim Group, where everything went very well, and now I opened my own company, Martin Boutique Wines, which will be briefly online worldwide, and I also work as Sommelier at the Maison Andaluz.

And now you will make and release 2 wines with the names of your boys. Tell us a little about how these wines are going to be.
I have in my head the recipe for 2 wines, I know what I want and how to get there, but since I do not have any vines at the moment, and I'm not a producer or winemaker, I joined Carlos Lucas from Magnum Vinhos at Dão, to make 2 wines with the profiles of my children.
One will be the AM Antonio Martin, who is a red wine, with claw, but with sweetness, in the sense of having good fruit, something that makes us happy. It is a wine with many tannins, with a very large body, to give work to chew, with much acidity to carry all the information that has, at the level of phenols, at the tannic level, the organoleptic properties of the wine had to be complex like Antonio.
OM, Oliver Martin, is going to be a wine in his image, easy, candid, pure smile, with soft characteristics. In OM, I looked for purer varieties, which give os an easy smile, a profile of purity and longevity.
I looked at the 2 wines and chose to do things that I really like. My favorite region is Dão, and AM, was made there. And OM, as his mother and family are all Beirões, I went to Bairrada.

What is your view on the wine market in Portugal?
It is a market that I see with great health. Wine is clearly one of the things most people look for. Portugal was considered the fifth country in the world with the best wines. Following Italy we are the country with the most castes in the world, and Portugal is much better than Italy. So it's a matter of time before we can stand out.

How do you predict your life for years to come?
Regarding fashion, I think when I start to have white hair, there will be again market for me. At this point I know I don't look 40, that's my age, but I do not look like 30. I'm still in Central Models, where I started, and I'm sure I will have lots of work when I start to have white hair, (laughs) I will also be in shape, because health and physical well-being are part of my way of being, and also because I am vain: =), also because I like my wife to be proud of her husband: =), but mainly because of my children. 
In the next years my focus is on being a father, in my company, and on being happy.




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